O Estudante de Jornalismo
Kentucky para Hillary Clinton por 35 pontos, Oregon para Barack Obama, por enquanto com uma margem de aproximadamente 16 pontos percentuais. Ao ar, o senso de que ambas bases se asseguram, a compreensão de que a base da vencedora em Kentucky aposta em sua vice-presidência mais do que a base do vencedor em Oregon.
Obama coleciona a maioria dos delegados declarados, 1,993 a 1,770 de Clinton, e ainda vence em super-delegados, com 305 a 277. Clinton ainda diz que venceu pelo voto popular, e pode estar certa. Em um estado republicano como Kentucky, em que Obama não apareceu tanto quanto poderia, mas que gastou mais do que sua adversária, a senadora por NY pode competir em Novembro com maior facilidade do que o senador por Illinois.
A disputa chega a seu ápice anti-clímax: Faltam apenas três primárias, contando a de Porto Rico que não pesa tanto quanto as de Montana e South Dakota, que votarão no dia 3 de Junho, mas são todos pequenos, de futuros colégios eleitorais mais leves. O número de delegados disponíveis pode deixar Obama a alguns curtos passos de obter seus 2,025 delegados fatais, mas o jovem senador já passa a declarar vitória a gestos soturnos.
Em Iowa, gabou-se da maioria, elogiou sua rival, deu mais um de seus populares discursos, e a noite passou, o dia amanheceu, todos sabemos que falta pouco e, para muitos, dado está o que tinha de estar.
O Iludido
De um lado, trabalhadores, operários, funcionários de uma indústria pérfida e ardilosa, em um mundo globalizado onde as máquinas desaparecem daqui e surgem ali, mas os operários, os trabalhadores, os funcionários não possúem a mesma habilidade do transporte metafísico, e são apenas substituídos. Estes observam a senadora, e a admiram como admiravam seu marido.
Do outro lado, descendentes afro-americanos e indivíduos com diplomas universitários observam juntos em Obama uma chance ainda maior de voltear o gigante país e guiá-lo a melhores direções.
Por que os ignorados da nação agora se únem aos seus educados? Talvez os funcionários sejam menos educados, mas são também mais realistas, vivem a própria pele, vivem a própria situação. Talvez o mundo dê voltas, mas sempre chegue ao mesmo lugar.
O Cínico
Não existe “mais educado” ou “menos educado”, nem uma classe “operária” que se distingua tanto de quem apenas trabalha como faxineiro ou vendedor de uma rede de lanchonetes porque lhe falta opção, ou lhe faltaram oportunidades que a outros sobram. Aqui estão todos no mesmo barco, e apenas aqueles que sabem navegar o sistema têm um bom PhD.
Penso que vemos em candidatos políticos, não os heróis que quiçá algum dia víamos, mas os personagens de reality shows como o próprio Big Brother, pessoas que amamos odiar, das quais adoramos falar mal, por quem torcemos que um vença o outro ou outra, às vezes pelos motivos mais banais. Bem como eles são nossos macacos de circo, nós somos a platéia, e compramos o ingresso sem reclamar de mal-tempo ou agouros quaisquer, desde que possamos de algum modo observar o que ocorre.
Quando alguém deixa de se interessar pelo espetáculo é automaticamente julgado por alienado. O alienado que não se envolve na “política” do país. O alienado que não se importa com o que ocorre com sua nação. E sim, há dos alienados que não sabem, nem querem saber e têm raiva de quem sabe. Mas há também, sempre há, os que simplesmente desistiram de fazer parte da platéia circense, os “radicais”, os “iludidos”, os que não se conformam com o que aprendem nas faculdades de jornalismo, onde qualquer pergunta é válida, e qualquer tema vende.
Sim, os “cínicos” tentam fazer parte dos dois lados.
Professor Toni pergunta, justamente, quanto aposto em Barack Obama. Respondi que não aposto, nada, em ninguém que não em mim.
Quero dizer com isso que quem estiver na Casa Branca importa, de fato, e há um movimento popular crescente que passa a importar-se pela primeira vez na história moderna dos Estados Unidos. Esse interesse, cultivado, abre as portas, espero, a idéias novas, a modos novos de participar do desenvolvimento positivo de qualquer sociedade. Caso vença Obama, essa base não se perderá com tanta facilidade, cobrará de seu eleito, se envergonhará caso os desaponte, e participará, também espero, mais do processo para perceber que não podem mais seguir na platéia.
O cínico sabe que “vai dar cagada”. O cínico sabe que “do povo” só é quem do povo é. Mas comenta, atenta e espera que o nome do próximo presidente seja menos importante do que esse movimento crescente, no qual me vejo incluído, no qual posso apostar todas as minhas moedas de cobre e papelão.
RF
Wednesday, May 21, 2008
Apostas a Quem Valha
Tuesday, May 20, 2008
Argila
Hoje à noite, ou à madrugada quase mundial, serão anunciadas duas vitórias outrora tidas desimportantes para a nação dos Estados Unidos. Enquanto Oregon deve dar a Barack Obama a cifra necessária para clamar a vitória por maioria de delegados, Kentucky deve favorecer a Hillary Clinton massivamente.
Mas é uma cidadezinha no centro de Kentucky, tão central que jaz escondida dos olhos do país, tão interiorina que só se abriga em si mesma, que melhor reflete o valor dessas eleições, e o motivo empírico do pessimismo nato.
Clay, que em português traduzir-se-ia como “Argila”, o material bíblico da base humilde da humanidade pelo criacionismo, e um dos materiais mais baratos ao molde de esculturas ou arquiteturas barrocas, faz parte de um dos distritos mais pobres – se não o mais pobre – dos Estados Unidos.
Para se ter uma idéia do que define a linha da pobreza nesse nosso mundo, basta que lhes conte de minhas conversas entre amigos próximos, colegas de trabalho e família. Alertamo-nos mutua e amigavelmente que, enquanto políticos divulgam medidas a ajudar “cidadãos necessitados, que ganham 40 mil dólares ao ano”, nós ganhamos, cada, uma média de 20 mil dólares ao ano, ou seja, o considerado marco da pobreza no caso de se tratar de um só salário a uma família de cinco pessoas (cálculo tão absurdo quanto o geralmente categorizado na busca do salário mínimo em reais).
Em Clay, a média salarial é de aproximadamente 7-10 mil dólares anuais, menos do que mil dólares mensais, o valor de aluguéis baratos em cidades razoáveis. O distrito todo se adaptou ao modo de vida, sem luxuosos restaurantes, sem empresas contratistas, sem grandes oportunidades trabalhistas, sem casas expandidas para satisfazer o número de pessoas que nelas morariam, fosse Clay uma cidade normal. O ponto popular é uma espécie de bar em que os clientes comem e bebem produtos a menos de três dólares e cinquenta centavos, o preço de uma caixa de doze latinhas de coca-cola em qualquer supermercado ou venda indiana.
Enquanto Hillary Clinton vence no estado majoritariamente branco, um dos mais pobres do país, por uma porcentagem avassaladora sobre Barack Obama, que mal deu as caras por ali, nenhum dos candidatos, nem mesmo representantes da campanha de Clinton apareceram em Clay. Os habitantes daquela região não votam há décadas, e conversando com eles, o repórter da MSNBC descobriu que a cidadã acredita na função judéo-islamo-cristã de permanecer em casa enquanto o marido trabalha, ou morrer de fome, ou que o cidadão pede a subida de um pobre à presidência, não importando (leia-se importando) a cor da pele do candidato, ou seu sexo. Mesmo muitos declarando-se conservadores e republicanos, nenhum assumiu que votaria em John McCain, nenhum assumiu que votaria, na realidade, em ninguém.
Essa é a conjunção de fatos, o elo entre os fatores que nunca alteram o falido produto. Em nome da evolução de um país é possível ignorar as partes diagnosticadas por especialistas internos como tomadas por gangrenas incuráveis. É o caso de Clay, como seria o caso de Kentucky em um todo, ou de qualquer distrito, vizinhança ou menor comunidade pobre espalhados pela nação.
Nem Barack Obama, que tinha já o endossamento de John Edwards, auto-entitulado defensor dos pobres e oprimidos; nem Hillary Clinton, orgulhosa de reter o apoio dos pobres, mas nem tão pobres ao ponto de não poderem financiar sua campanha com cheques miúdos, mostraram que se importavam com quem a nação tem solenemente renegado há talvez séculos.
Mas como Jens diz nos comentários, de fato, a mudança é clara, é fatídica, e é de se orgulhar que exista a possibilidade, a própria idéia, nem que seja. Talvez defeituosa por ser apenas um começo, e todos os inícios são difíceis, diz a tradição judaica. Porém, mesmo para um começo, a ignição sacudiu e a marcha emperrou mais vezes do que o necessário, e a largada é quase choca. Quase...
RF
Monday, May 19, 2008
Por que perdeu?
Para quem vive nos Estados Unidos, a inclinação ideológica vê-se claramente ameaçada pela condição atual. Em alarde puramente justificável, a economia apanha dos preços do barril de petróleo enquanto o governo quase contempla usar de sua reserva nacional para, em manobra política, manipular o mercado temporariamente. Apanha da crise imobiliária que bateu mais um recorde de apossamentos de propriedades cujas hipotecas não podem ser pagas, e apanha também do preço e da escassez de certos alimentos considerados vitais ao desenvolvimento estadunidense, como o arroz ou o milho, agora também usado na produção do ethanol. Apanha pelo desemprego, e apanha pelo futuro do seguro da previdência. A população apanha sem saúde, e sem capacidade de comprá-la.
Em realidade, o partido republicano, ainda vivo, já não é mais o mesmo. Um movimento escancarado parece mudar a vida de estadunidenses, como se o país finalmente passasse a perceber seus pontos fracos nascidos das derrotas sociais dos últimos anos, e ao mesmo tempo não soubesse o que mudar, ou como. Familiar? Sim, e muito, não só ao Brasil, nem apenas a Israel, mas ao mundo todo.
Aliás, é quase impossível não recriar nestas páginas o questionamento filosófico, moralista e metafísico que constitui toda a humanidade no século XXI. Não é um século mais violento, mais racista, e nem um século mais pobre do que os demais. Tampouco foi o século XX, e portanto, culpar a mídia, a televisão e o cinema por modelar as mentes comercializadas do mundo moderno seria inútil e desenexado. É do pensamento humano, de sua estrutura ideológica, de seu comportamento que nascem os fantasmas eternos dos nossos enfrentamentos corriqueiros.
Logo, é cem por cento genuíno questionar a lógica esquerdista, como faz parte de nossa natureza não aceitar a filosofia direitista incondicionalmente. Também faz parte aderir a um grupo, procurar alguma identificação que nos constitúa e, talvez, muito do talvez, nos dê algum sentido guiado em vida. A maior questão é, qual desses dois faz mais sentido no mundo de hoje? Pois, pelo acúmulo de derrotas, pela geração desiludida filha dos desiludidos, a primeira opção tem mais pés. Está em voga duvidar, mesmo que da dúvida nasça a perfídia de não termos mais respostas fáceis, prontas, para nossos questionamentos mundanos.
P. perguntou (nos comentários do texto anterior) por que Clinton perdeu, e perde, em tantos estados a enfim culminar em sua “desqualificação à nomeação democrata”. Pois, P., há várias justificativas, mas verificar a realidade em todos os seus ângulos requer contatos que nós não temos, que eu não tenho, com a base eleitoral de Barack Obama, com os independentes, e, finalmente, com a própria base de Clinton.
Porém, posso oferecer alguns pensamentos ligados ao que o texto se dedica, a postura ideológica do presente. Logo, cito aqui dois dos principais motivos de sua derrota:
1 – A senadora por NY não é uma representante neutra do sexo feminino. No caso, Condoleeza Rice seria muito mais propícia para armar essa jogada, já que é apenas conhecida por mérito próprio. Hillary que, como citei no texto passado também é Rodham, é principalmente Clinton, todavia. Ou seja, é esposa de alguém que já foi, ex-primeira-dama, ligada à história presidencial das últimas duas décadas. Pense, por exemplo, na moça que disse que poderá votar pela primeira vez, desde que chegou à idade permitida, por alguém que não seja nem Bush nem Clinton. Esse anti-tradicionalismo virou moda, e isso é, em si, muito bom para o país, que procura realmente algo novo depois de anos de conformismo ideológico.
2 – Clinton decidiu cedo demais que sua vitória era inevitável, e que ela seria a melhor candidata ao partido democrata. Não que ela esteja errada, necessariamente, já que sua experiência contra republicanos e sua fama como primeira-dama lhe dão uma certa espinha dorsal que Obama, por ser mais jovem, mais inexperiente e de menos contatos internos, não possui. No entanto, Clinton não contava com a busca do povo por algo completamente diferente, uma busca que não se expressou nas eleições de 2004 e muito menos em 2000. Justamente quando pensava ter o apoio de toda a população, e quando pensava que o povo acataria sem maiores problemas a mesma estratégia gladiadora das outras eleições, foi surpreendida com a tradução do grito outrora exclusivamente Mexicano, o “Sim, se pode!” Quando atacou seu rival, foi crucificada. Quando inventou memórias inexistentes sobre a Bósnia, acusaram-na de querer fazer de tudo para conquistar a presidência. Mais do que isso, quando decidiu que os votos de Michigan e da Flórida repentinamente contavam mesmo depois de ter concordado com as regras prévias de seu partido, perdeu a confiança de muitos, incluindo eu, que pelo menos tinham fé em suas boas intenções.
No mais, P., Antonio Tozzi oferece outros motivos no Direto da Redação, dizendo que Clinton perdeu porque a mídia esteve ao lado de Barack Obama, e ele pode ter razão, então leia seu texto e contemple mais uma possibilidade.
O ponto central e indiscutível é que estamos em um período especial, que antecede uma onda astronômica que pode trazer boas ou más águas, ambas em intensas proporções. Na era do terrorismo mundial, onde grupos inconformados e marginais procuram ganhar cada vez mais espaço no modo em que conduzimos nossa política, a hipocrisia dos soberanos é desmascarada com maior facilidade por nossas novas tecnologias.
O que será, é ainda cedo para determinar. Esperanças altíssimas da vinda de um Messias eu não tenho a menor. Grandes positivismos, tampouco divulgo. Mas é indiscutível o impacto de Obama em um país cuja antipatia e indiferença vem crescendo de modo fatal e voraz há décadas. Algo mudará, isso é garantido. O que mudará, ninguém ainda sabe.
RF
Friday, May 16, 2008
Colarinho Azul e a Gafe no Knesset
John Edwards
O advogado, senador, ex candidato a vice presidente e ex candidato presidencial, John Edwards, finalmente endossou Barack Obama à nomeação de seu partido.
Dois dias depois, Hillary Clinton já parece realmente conformada com a derrota, e sua campanha apenas pede comprovar que pode chegar ilesa ao final da corrida, e ainda apoiar seu rival à Casa Branca contra o rival de seu partido, John McCain.
Em princípio, o endossamento de Edwards poderia ter vindo antes das primárias de West Virginia, mas talvez pelo fato de que uma vitória no estado predominantemente branco era inevitável a Hillary Clinton, e o senador não pretendia perder crédito em seu apoio, o ato foi contra-pesado. Anunciando no momento em que anunciou (ressalto aqui que Edwards já sabia quem apoiaria há muito tempo), conseguiu pisotear o momento da senadora de New York depois da massiva vitória na passada Terça-Feira.
Além disso, com a chance de disputar seus delegados, Barack Obama finalmente encara a concreta possibilidade de chegar aos indiscutíveis e indisputáveis 2,025 oficiais eleitos, o que garante a nomeação sem a possibilidade da intervenção dos super-delegados. No quadro acima, agora atualizado com mais frequência, leitores já podem notar que Obama tem 1,899 contra 1,719 delegados sobre Clinton, 291 a 274 quando se trata dos “supra-humanos”.
Para refrescar a memória, Edwards foi o candidato e vice-candidato dos “brancos de colarinho-azul”, os trabalhadores, os operários, seus defendidos quando por eles criava fama nas cortes estadunidenses. Finalizando a lista das três principais vantagens de seu endossamento está a possível conquista parcial de uma base antes considerada perdida ao senador de Illinois.
John McCain, George W. Bush e o Knesset
Por ser israelense, quando falo de Israel, de seus 60 anos recém cumpridos, de sua independência e conflitos, o assunto se torna pessoal. Mas mesmo não o sendo, perceber mais essa grotesca gafe do presidente George W. Bush ao discursar no Parlamento de Israel, o Knesset, não seria tão difícil.
Jurando lutar contra os terroristas que assolam a região, Bush comentou que persuadi-los e apazigua-los de que suas ações “sempre estiveram erradas” seria uma tentativa inocente e falida, do mesmo modo que um senador dos Estados Unidos, em 1939, pensou poder persuadir Hitler a não invadir a Polônia.
O ataque óbvio a Barack Obama fora do solo estadunidense demonstra um tanto da arrogância desta administração republicana. John McCain, candidato que tenta claramente ser duas coisas ao mesmo tempo, tanto amigo quanto mui amigo do atual presidente, sabe que não poderia fazer o mesmo tipo de comentários com tanta facilidade diplomática quanto a de uma pessoa completamente desqualificada para conversar com estrangeiros, que pode emitir sons sem sentido e desfilar aos aplausos e ecos de “missão cumprida”, como geralmente faz o senhor presidente.
Bush tentou desmentir o elo de seu comentário ao fato de que Obama tenha declarado - e sempre declare quando confrontado - que conversaria até mesmo com Ahmadinejad ou o líder do Hamas caso fosse necessário, política que republicanos repudiam. O que o presidente disse em suma, é quase uma ilusão auditiva ou racional, já que “conversar” e “apaziguar”, como mencionou Bush, são duas coisas diferentes.
E mesmo tendo razão, já que o senador de Illinois não é só jovem, mas também completamente inexperiente em questões de política externa, como ousa um presidente de uma nação que se auto-entitula nobre e de altos valores morais atacar o rival de seu partido em solo estrangeiro?
Hoje, quando conversar com os reis do petróleo, seu tom será bem diferente, certamente apaziguador. Claro que os Estados Unidos são amigáveis a Israel, mas também são ao dinheiro, e a crise dos preços da gasolina está quebrando as classes média e baixa do país.
Já McCain, querendo distanciar-se de sua posição há poucos meses quando declarou que o exército estadunidense ficaria no Iraque por 100 anos caso fosse necessário, prometeu a retirada da maioria das tropas do país até o fim de seu primeiro termo, em 2013. De 100 para quatro, o senador republicano passa a oferecer as mesmas datas determinantes que criticou seu rival partidário, Mitt Romney, por assim calcular quando concorriam à nomeação.
Só para “não dizer que não falei das flores”, ou melhor, para não me mostrar tão “liberal”, quero salientar que a hipocrisia existe em ambos partidos, em ambas teorias e ideologias, e os interesses sempre ultrapassam qualquer verdadeiro desejo à mudança, ao menos quando falamos de políticos. Volto a falar do indivíduo solitário, e saliento algo que tenho claro: Quem deve exigir a mudança e trabalhar avidamente pela mesma é o “povo”, ou seja, eu, meus amigos, minha família, meus colegas. Ninguém nos dará nada de bandeja, e quando por nós formos pedir, seria de bom tom pensar nas necessidades alheias, do “meio ambiente” que nos circunda, para não criar maiores desarmonias. O resto é resto, e tenho dito.
RF
Wednesday, May 14, 2008
Porém…
Sim, é até provável que West Virginia não tenha o peso que Hillary Clinton, agora repentinamente, procura atribuir ao pequeno estado do sudoeste estadunidense. Porém, foi um dos primordiais estados às vitórias de candidatos presidenciais democratas das últimas cinco décadas.
Hillary, que também é Rodham, deixou de ser a candidata inevitável e passou a ser a candidata do povo. Qual povo, é absolutamente outra questão. Com uma vitória de 41% sobre Barack Obama ontem, algumas outras questões são legitimamente levantadas, mas dessa vez pesando contra o senador de Illinois.
Segundo as pesquisas, mais de 60% do voto de cidadãos “brancos, de colarinho-azul” (comentário da senadora à semana passada que, conforme dito, soa racista, apesar de podermos duvidar do racismo dos Clinton, e assim tomá-lo como um grosseiro erro expressivo) foram para a senadora. Entre as mulheres, Obama apenas recebeu 22% dos votos, enquanto entre os homens, recebeu a metade de sua rival, apenas 30%.
Já estava estabilizada a base principal de Obama: Negros, democratas com nível educacional superior, e democratas de classe média alta. Para Clinton, a base principal é justamente a de mulheres e “brancos de colarinho-azul”. Com a mudança do tom de sua campanha nos últimos dias, consolidou-se como a candidata do povo, e Obama é uma super-estrela em ascensão.
E ainda há dois outros essenciais poréns:
Assim, ao contrário do que muitos pensavam e pensam, a disputa ainda não termina. Continua até meados de Junho, e talvez até a convenção em Agosto.
RF